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Quero ser um criador. E agora?

SÁBADO, 21 DE JULHO DE 2012

Que tipo de criador eu quero ser?

Em primeiro lugar, vale esclarecer que dificilmente um bom criador obterá lucro financeiro com a produção do seu canil. Sim, existem aqueles que criam visando lucro financeiro, e até conseguem, mas temos que analisar a que “custo” isso é possível. E existem, também, aqueles que decidem ser criadores simplesmente porque amam os cães e querem aprimorar a raça.
Um criador que visa o lucro, precisa pensar em como reduzir, ao máximo, os gastos. Isso quer dizer que, fatalmente, vai relaxar nos cuidados e buscar subprodutos para tratar seus cães. Vai economizar comprando uma ração de baixa qualidade (ou “standard”), comprar vacinas mais baratas (e não tão eficientes), espaçar mais as vermifugações, utilizando remédios de segunda linha, e por aí vai. Além disso, vai vender um cão a qualquer pessoa que possa pagar por ele, sem critério de seleção para um futuro promissor ao filhote.

Muitas vezes, esse tipo de criador não registra os filhotes, e coloca anúncios do tipo: “com pedigree, sem registro” (isso não existe!!), ou “filhotes puros, pais com pedigree” (e aí, quem garante?). Outro problema desse “tipo” de criação, é que não há o controle genético, por meio de exames específicos (geralmente caros), para evitar que os filhotes desenvolvam doenças hereditárias. Aí o “criador” anuncia: “os pais têm todos os exames de saúde em dia”. A pergunta é: quais exames? Aqui, não estamos falando nos exames corriqueiros pedidos pelos médicos veterinários clínicos, como hemograma, parasitologia, etc., que são, sim, igualmente importantes e necessários. Mas, sim, de exames, realizados por profissionais especializados, como oftalmologistas (exame de fundo de olho, para detectar se o cão é livre de doenças como a catarata juvenil, o glaucoma, a distrofia de córnea, atrofia progressiva da retina, entre outras), radiologistas (exame de quadris e cotovelos, por meio de radiografias, para detectar se o cão é livre de displasia coxofemoral ou de cotovelos), entre outros.

Canso de receber mensagens de pessoas que estão enfrentando problemas de saúde com seus cães, e o “criador” do cão, que é quem deveria estar dando o apoio e orientações ao proprietário, já não se interessa, porque sua parte, de embolsar o dinheiro da venda, já está cumprida. Aí o cão, que custou barato ao comprador, agora está cheio de problemas, tem desvios de temperamento, doenças genéticas… E o proprietário, que se deixou enganar por propaganda enganosa ou que pensou estar fazendo um ótimo negócio pagando barato pelo seu filhote, agora se vê em apuros e gasta tudo o que pode e o que não pode para tratar do animal. Sim, o barato pode custar MUITO CARO!!
Exemplo das condições de um Husky Siberiano mantido por um fabricante de filhotes.

Exemplo das condições de um Husky Siberiano mantido por um fabricante de filhotes.

Vai por mim: se o valor de um bom cão, provindo de um criador que faz um trabalho sério pela raça, estiver fora do seu orçamento, adie o sonho de ter um belo cão de raça e adote um vira-latas! Os cães “sem raça definida” são excelentes companheiros, costumam ser naturalmente saudáveis, porque vêm de uma “seleção natural” – não é regra, mas não é à toa que costuma-se dizer que os SRD’s são mais fortes e saudáveis que os cães de raça. Por que isso acontece? Um criador que visa lucrar com a venda de cães de raça, não se importa em selecionar pelo padrão morfológico e nem pela saúde física ou mental dos cães. Para eles, se o cão é “puro”, ou se parece com a raça, vai para reprodução, não interessa se o cão e cego, se tem dificuldades para se locomover, se é epilético. Muitas vezes, como tais cães não têm boa procedência, podem ser frutos de cruzamentos entre parentes muito próximos e seus problemas de saúde se agravam. Ou, o criador está buscando determinada cor de olhos, comprimento ou cor da pelagem, e não liga para nada além disso, pois sua “seleção” visa apenas atender o “mercado”, sua lista de possíveis compradores, que querem um cão da tal cor, com a tal pelagem, e os olhos da cor tal.

Muitas vezes, esse tipo de criador participa de feiras, ou repassa seus filhotes para serem vendidos em eventos ou em pet shops. Não aconselho, em hipótese alguma, comprar um animal em feiras ou em pet shops! É impossível saber o histórico desses filhotes, das condições em que foram criados, de ver seus pais ao vivo a fim de verificar sua procedência. Como saber se esse filhote não foi vítima de abusos ou maus-tratos, sem conhecer sequer o local onde nasceu e foi criado? Comprar dessa forma, é incentivar a má criação, o abuso, e correr o risco de pegar uma verdadeira “bomba-relógio”. Esses cães são manuseados por várias pessoas, podem estar contaminados por parasitas ou vírus, e podem vir a morrer em poucos dias após chegar em sua casa.
Por outro lado, um criador que se importa com seus cães e quer o melhor para eles e para a evolução da raça, vai selecionar criteriosamente os animais que serão usados na reprodução. Vai estudar a fundo o padrão da raça, vai trocar informações com criadores mais experientes, vai buscar o melhor espaço para criá-los, vai pesquisar qual é a melhor alimentação, a melhor vacina, os melhores medicamentos, os melhores especialistas. Vai “se matar trabalhando” para investir o máximo possível em sua criação. Seus cães fundadores custarão caros, muitas vezes serão importados de canis renomados, terão vários exames de saúde à disposição, realizados por especialistas.
O bom criador fará uma série de perguntas aos possíveis novos proprietários, e não apenas irá “trocar” o filhote por uma pilha de dinheiro. Ele se preocupará com a preservação da sua linhagem, buscando pessoas conscientes que saibam que um cão “pet”, que será o mascote da nova família, não precisa reproduzir, e viverá melhor sendo esterilizado. Dessa forma, o criador e o proprietário estarão prevenindo uma série de doenças que são desenvolvidas por causa da ação dos hormônios sexuais, como o câncer nas glândulas mamárias e nas adanais, somente para citar alguns exemplos.
Um contrato entre criador e proprietário é sempre recomendável, pois aí um assegura a saúde e pureza do cão, e o outro se compromete com os cuidados adequados e a preservação da linhagem, além de outras cláusulas que garantirão direitos e deveres de ambas as partes sobre aquele cão.
Como faço para abrir um canil?
Aqui vale iniciar dizendo que um canil não é, necessariamente, uma estrutura física, cheia de baias, jaulas ou canis, e nem é preciso ter um monte de cães reprodutores. Podem-se ter, simplesmente, os cães no aconchego do lar, dentro de casa, com acesso ao jardim. Ter uma fêmea, com registro, já é o suficiente para homologar um canil.
O fato é que “ter um canil” é registrar um nome, junto à CBKC (Confederação Brasileira de Cinofilia), pagando as taxas necessárias. Isso lhe dará a possibilidade de registrar ninhadas, tendo, dessa forma, os pedigrees dos filhotes produzidos. Ressalto, porém, que apenas filhotes que tenham AMBOS os pais registrados, poderão ter seus pedigrees emitidos.
Dito isso, o próximo passo é dirigir-se a um KENNEL CLUBE, e solicitar os formulários de registro de canil e realizar o pagamento das taxas correspondentes. O interessado deverá levar 3 sugestões de nome de canil, em ordem de preferência, sendo que um deles será homologado junto à FCI (Federação Cinológica Internacional), com sede na Bélgica.
Os Kennel Clubes servem como um cartório, além de promoverem outras atividades para seus sócios. Para saber sobre o Kennel Clube mais próximo, basta entrar no site da CBKC (www.cbkc.com.br).

 

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Cinofilia oficial: por quê criar cães de raça e com pedigree?

SÁBADO, 2 DE JULHO DE 2011

Breve Histórico

A seleção de cães existe desde a pré-história, quando o homem passou a considerar a funcionalidade e a utilidade dos cães e, assim, começou a selecionar casais mais aptos para determinadas tarefas, de acordo com as necessidades das tribos ou grupos de pessoas. A partir dessa seleção artificial, baseada em aptidões, comportamento ou habilidades físicas, surgiram inúmeras raças.

Cães molossos, por exemplo, eram utilizados em combates.

Cães molossos, por exemplo, eram utilizados em combates.

Para que as características desejáveis de cada raça fossem mantidas, foram criados os “standards”, ou padrões, que ditam a conformação física e comportamental de cada raça, servindo como um guia para os criadores produzirem cães dentro de um tipo definido, que diferenciam uma raça da outra.

A fim de ordenar esse sistema, foram criadas entidades oficiais de cinofilia no mundo, que promovem o registro de cães de raça pura e, desta forma, instrumentalizam os criadores com os pedigrees, que lhes permitem analisar a genealogia de cada indivíduo canino.

Atualmente, as raças estão divididas em grupos de cães de tipos distintos, ou grupos funcionais, como cães pastores, de caça, molossos, e assim por diante.

Pela Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC), as raças estão divididas em 11 grupos:

Grupo 1 – Pastores e Boiadeiros (exceto suíços);
Grupo 2 – Tipo Pinscher, Schnauzer, Molossos e Boiadeiros Suíços;
Grupo 3 – Terriers;
Grupo 4 – Dachshunds;
Grupo 5 – Spitz e Primitivos;
Grupo 6 – Sabujos e Pista de Sangue;
Grupo 7 – Aponte (caça);
Grupo 8 – Recolhedores, Levantadores e D’água (caça);
Grupo 9 – Companhia;
Grupo 10 – Lebréis e Lebreiros (galgos);
Grupo 11 – Raças em reconhecimento.

Nota: O Husky Siberiano pertence ao Grupo 5, que está assim relacionado:

GRUPO 05 – Cães Spitz e Tipo Primitivo.

Seção 1 – Cães Nórdicos de Trenó.
1. Escandinávia.
2. Rússia.
3. EUA.

Exemplo: Husky Siberiano.

Exemplo: Husky Siberiano.

Seção 2 – Cães Nórdicos de Caça.
1. Noruega.
2. Rússia.
3. Suécia.
4. Finlândia.

Exemplo: Norwegian Elkhound.

Exemplo: Norwegian Elkhound.

Seção 3 – Cães Nórdicos de Guarda e Pastoreio.
1. Islândia.
2. Noruega.
3. Suécia.
4. Finlândia.

Exemplo: Icelandic Sheepdog.

Exemplo: Icelandic Sheepdog.

Seção 4 – Spitz Europeus.
1. Alemanha.
2. Itália.

Exemplo: Spitz Alemão Anão (Pomerania).

Exemplo: Spitz Alemão Anão (Pomerania).

Seção 5 – Spitz Asiáticos e Assemelhados.
1. China.
2. Alemanha.
3. Japão.

Exemplo: Chow Chow.

Exemplo: Chow Chow.

Seção 6 – Tipo Primitivo.
1. Israel.
2. Malta (Grã-Bretanha).
3. México.
4. Peru.
5. Região da África Central.

Exemplo: Basenji.

Exemplo: Basenji.

Seção 7 – Tipo Primitivo de Caça.
1. Espanha.
2. Itália.
3. Portugal.

Exemplo: Ibizan Hound.

Exemplo: Ibizan Hound.

Seção 8 – Tipo Primitivo com Crista Dorsal.
1. Tailândia.

Por quê escolher uma raça?

Quando alguém decide ter um cão, provavelmente esteja buscando, mesmo que inconscientemente, determinadas características que deseja em um animal com o qual vai conviver por vários anos.

Cada raça tem suas características e aptidões inerentes, provindas de anos e anos de seleção de cruzamentos. Existem, atualmente, mais de 200 raças reconhecidas, e é bem provável que haja a raça ideal para cada pessoa, condizente com seu estilo de vida e personalidade, o que facilita, e muito, na hora da escolha. Cada raça carrega consigo um “padrão”, que descreve como deve ser o caráter, a morfologia, etc.

Por isso, é fundamental que se busque o máximo de informações possíveis sobre a raça antes de tomar a decisão final, e nunca adquirir um cão por impulso ou por vaidades.

Diz um ditado: “HOJE ESTÃO NA MODA, AMANHÃ ESTÃO JOGADOS NA RUA”, que exemplifica o que acontece em muitos casos, onde a pessoa se encanta por um filhotinho ou por determinada raça que está na moda, e depois o “brinquedo” acaba crescendo, ou perdendo a graça, e o cão acaba atirado no fundo do quintal sem cuidados adequados, ou jogado na rua.

Caso o comportamento e as características físicas sejam indiferentes na busca por um cão, ou se o valor de um cão de raça, provindo de um criador responsável e idôneo, esteja fora de cogitação, incentivamos o resgate de cães de raça abandonados em abrigos, ou mesmo o recolhimento de cães de rua que, além de um ato louvável de compaixão, ajuda a salvar vidas e a diminuir um problema que cada vez aumenta mais no nosso país.

O que é e para que serve o PEDIGREE?

“Pedigree” é o nome dado ao registro de origem do cão de raça pura, que contém, além de dados como nome, sexo, data de nascimento, número de registro, nome do criador e do proprietário e número de microchip ou tatuagem, a árvore genealógica do animal – pais, avós e bisavós, bem como os títulos oficiais obtidos por cada um.

Exemplo de pedigree da CBKC.

Exemplo de pedigree da CBKC.

Esse documento deve ser apresentado pelo criador do cão no ato da entrega do filhote ou cão adulto para o novo proprietário e, caso ainda não esteja pronto, o criador deverá apresentar o protocolo de registro da ninhada, e enviar o pedigree posteriormente ao proprietário.

O pedigree serve como um guia para o criador selecionar o casal que irá reproduzir, pois visualizando-o, ele será capaz de identificar o nível de consangüinidade (inbreeding, linebreeding, outcrossing), propensão a doenças hereditárias, características da família, etc.

Quem emite o pedigree é a entidade oficial de registros genealógicos de cães de cada país, e são encaminhados pelo criador, isto é, aquele que possui a fêmea mãe dos filhotes (matriz).

Ambos pais devem ter pedigree para que o registro de uma ninhada seja possível.

Estrutura da Cinofilia Oficial no Brasil

O Brasil tem uma cinofilia oficial organizada, regida pela Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC). A CBKC segue as normas da entidade maior, em nível mundial, que é sediada na Bélgica: a Federacion Cinologuique Internacionale (FCI).

A CBKC abrange todo o território nacional, por isso, delega seus poderes de cartório de registros, organização de eventos (exposições) e homologação de títulos, a seus clubes afiliados, os chamados “Kennel Clubes”, espalhados por diversas cidades do país. Alguns estados possuem, ainda, Federações Cinologicas ou de Cinofilia, que regem todos os Kennel Clubes.

O proprietário da fêmea (matriz) deverá requerer, junto a um Kennel Clube, o registro de canil, que servirá para registrar os filhotes gerados. Lembrando que é essencial que a matriz e o macho escolhidos para o cruzamento tenham pedigree.  O nome do canil será o sobrenome dos filhotes, identificando, dessa forma, a origem dos animais.
No site da CBKC, poderão ser encontradas as normas e regras que regem todo esse processo.

Imagens das raças (exemplos) capturadas do site do American Kennel Club (AKC). É proibida a cópia parcial ou total sem autorização dos textos e fotos aqui publicados. Todos os direitos autorais reservados.

Títulos Homologados

Agora é oficial, a “Gorda” (Nordic Land Tsuki) é  Campeã Uruguaia, Campeã Panamericana e Grande Campeã Brasileira. Busquei hoje (02/mar) as homologações dos títulos, e a transferência do pedigree da Steel (Tunghat’s Designed in Steel).

2011 IPSSSDR

Mark your calendars….
The 2011 IPSSSDR Race is set for January 28, 2011 – February 5, 2011

http://www.wyomingstagestop.org/

Iditarod 2010

E começou no fim de semana 37ª edição da Iditarod – The Last Great Race, uma corrida de trenó de mais de 1.800 km através do Alaska. Que faz parte da história da raça Husky Siberiano. Sua origem se deu no inverno de 1925, quando uma epidemida de difteria assolou a cidade de Nome no Alaska, e como as condições metereológicas impediam a chegada do soro por via aérea, foi organizado uma grande corrente de trenós de cães para levá-lo de Anchorage até Nome, e o trecho mais longo e difícil coube aos siberianos de Leonhard Seppala liderados por Togo, que veio a se tornar um dos principais cães formadores da raça Husky Siberiano como a conhecemos hoje. Se for traçada a árvore genealógica dos huskies de hoje todos descendem daqueles cães de trenó de Seppala.

o jamaicano Newton Marshall - Foto: Iditarod

Campeã e utilidade pública

Agora é oficial, busquei ontem no KCRGS o título de campeã da Gorda.

Na revista Cães & Cia deste mês uma matéria sobre venda de pedigrees CBKC no Mercado Livre, a CBKC está investigando.



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