Archive for the 'Saúde' Category

Um velho amigo

CÃES E GATOS ATINGEM A TERCEIRA IDADE CONFORME PORTE E LUGAR ONDE VIVEM

Antes vistos apenas como animais de estimação, os cães e os gatos se tornaram parte das famílias. Mas já parou para pensar há quantos anos ele está morando com você? Se já se perdeu nas contas, ou lembra dos filhos ainda pequenos brincando com ele, prepare-se: brevemente, você terá de enfrentar a velhice do seu amigão.

Especialista em medicina felina e vice-diretora do Hospital de Clínicas Veterinárias, Fernanda Amorim explica que, para os gatos, essa fase da vida começa por volta dos 12 anos. Para os cachorros, a divisão é um pouco mais complexa, diz a especialista em problemas de comportamento de cães e gatos Ceres Faraco. Por mais estranho que pareça, a fase geriátrica chega mais cedo para os cães grandes, por volta dos sete anos. Os pequenos, como as raças bichon frisé e maltês, envelhecem por volta dos 10 ou 11 anos.

MASCOTES INSEPARÁVEIS

Totó e Kovu são de raças diferentes, mas compartilham a mesma dificuldade: chegaram à terceira idade. Enquanto um tem de lidar com injeções diárias para o diabetes, o outro convive com um câncer, que afetou os testículos no início deste ano. A doença mudou não só a vida dos animais, mas também a das donas. Hye Run Kang e o filho Jonas dividem-se há cerca de um ano nos cuidados de Totó, um maltês de 15 anos que acompanha a família desde “bebezinho”. Segundo ela, o envelhecimento do cão afetou um pouco a rotina da família. Além do diabetes, que diariamente, às 20h, une mãe e filho na luta para aplicar a injeção de insulina, Totó está completamente cego.

– Como ele odeia a seringa, a gente se ajuda. Enquanto eu seguro, o Jonas aplica – conta Hye Run.

A estudante Giulia Goidanich (foto), dona de Kovu, um bichon frisé de 14 anos, compartilha do mesmo sentimento. Tendo o cãozinho como amigo inseparável desde os seis anos, ela não consegue nem pensar que, um dia, ele pode não estar mais na vida dela.

No início deste ano, o medo a alertou.

– Me assustei bastante, o pelo dele começou a cair, ele ficou mais sonolento.

Daí percebi que estava ficando velhinho.

Dani Barcelos | Especial

Foto: Dani Barcelos | Especial

SAÚDE DE DAR INVEJA

– O meu não é nem idoso, é Matusalém.

Dona de Iura, um siamês de 19 anos, Gabriela Jacobsen diverte-se ao falar do companheiro. O bom humor não é em vão, já que o gato não tem doença, apesar da idade. Embora Iura tenha ficado mais sedentário, o envelhecimento do animal não mudou em nada o dia a dia da família. As mudanças foram mais nos hábitos do gato que, agora, toma banho só de talco e sai para a rua três vezes por ano, quando a dona o leva para fazer os exames no veterinário.

Foto: Mauro Vieira

Foto: Mauro Vieira

ALGUNS CUIDADOS
Como facilitar a vida do seu animal idoso
– Substituir a ração habitual por outra mais atrativa e de fácil absorção.
– Estimular os animais mental e fisicamente.
– Levá-los para passear, para que mantenham contato com outras pessoas e animais.
– Fazer check-ups geriátricos a cada três ou, no máximo, seis meses.

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ELE JÁ É UM VOVÔ?
Reconheça as marcas da idade no seu mascote por diferentes alterações
– Metabólicas: ganho de peso, maior sensibilidade ao calor e ao frio.
– Na pelagem: esbranquiçamento, rarefação de pelos, pele mais seca, crescimento das unhas.
– Locomotoras: dificuldades para se movimentar, atrofia muscular, artrose.
– Sensoriais: déficit auditivo, catarata.
– Gastrointestinais: tendência à diarreia e constipação, dificuldade para digerir os alimentos.
– No sistema nervoso central: maior agressividade, perda do treinamento higiênico, alterações no sono, latir (ou ouvir) para o nada, caminhar sem rumo (sintomas associados à síndrome da disfunção cognitiva).
– Imunodeficiência: maior suscetibilidade a infecções, ocorrência de neoplasias (câncer).
– Orais: dificuldade de mastigação, desgaste e perda de dentes.

Fonte: Caderno Vida | Zero Hora

Envolvimento emocional explica investimento

Zero Hora | 03 de março de 2013 | N° 17360

MEDICINA PET

 A noção de que um bicho de estimação é como se fosse da família é uma das explicações para o investimento desmedido em tratamentos de saúde para o animal. É a opinião da psicóloga Denise Gimenez Ramos, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e autora do livro Os animais e a psique (Summus, 2005).


Porém, de forma exacerbada, esse comportamento é considerado inadequado pela psicóloga:

– As pessoas têm substituído relações familiares e de amizade pelos cães, tratam como filhos. Esse comportamento coloca os animais numa posição que não é deles. É um problema muito sério, uma relação quase patológica.

O limite, adverte ela, é quando o envolvimento exagerado começa a gerar isolamento, pois a pessoa deixa de fazer atividades em benefício próprio para se dedicar ao mascote.

Mercado gigante
– Há 101 milhões de animais de estimação no Brasil, sendo 35,7 milhões de cães e 19,8 milhões de gatos.
– O mercado pet fatura cerca de R$ 20 bilhões por ano e gera em torno de 1 milhão de empregos diretos e indiretos.
– Em 2012, o gasto com animais de estimação por habitante aumentou 13% em relação ao ano anterior.
– 56% dos lares de Porto Alegre têm pets, aponta uma pesquisa.
– O Hospital de Clínicas Veterinárias da UFRGS atende 20 mil animais por ano, só perde para a Universidade de São Paulo, que atende 50 mil.
AS ESPECIALIDADES (ANIMAIS) RECONHECIDAS
– Medicina intensiva
– Homeopatia
– Patologia
– Cirurgia
– Anestesiologia
Fonte: Fontes: comissão para Animais de Companhia (Comac), Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindam), Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e Ibope

Bichos, tecnologia e muito carinho

Zero Hora | 03 de março de 2013 | N° 17360

MEDICINA PET 

Cuidados como pessoas dentro de casa, os bichos recebem tratamento de gente também em clínicas veterinárias

Cuidados como pessoas dentro de casa, os bichos recebem tratamento de gente também em clínicas veterinárias

Cuidados como pessoas dentro de casa, os bichos recebem tratamento de gente também em clínicas veterinárias.

– Os cuidados com a higiene e a própria infraestrutura são os mesmos da medicina – compara o diretor do Hospital de Clínicas Veterinárias da UFRGS, Afonso Beck.

Os aparatos, de fato, surpreenderam o supervisor de recursos humanos Rodrigo Pereira Fenalti, 35 anos, que acompanhou a akita Nikita, 12 anos, em uma ecografia para identificar um tumor em uma das mamas.

– O equipamento é igual, o que muda é o software para interpretar as imagens – explica o veterinário Rodrigo Lorenzoni.

Shitzu Buddy, 4 anos

Shitzu Buddy, 4 anos

Como a oferta de materiais e equipamentos específicos para pets ainda é pequena no mercado, o material de sutura e os colírios administrados no shitzu Buddy, quatro anos, que teve uma perfuração no olho direito e passou por cirurgia, também foram apropriados da oftalmologia convencional.

– Hoje já existem lentes de contato terapêuticas para cães, mas a maior parte dos produtos é a mesma de uso humano – diz a veterinária Paula Hünning.

Quem passou trabalho foi a advogada Neida Manassero, 55 anos, e a nutricionista Michelle Dorneles, 25 anos, que tiveram de dar conta das medicações de Buddy no pós-operatório.

– Era antibiótico, anti-inflamatório, colírio, fora o “abajur” no pescoço, que deixava ele inquieto! – lembra Neida.

Na quimioterapia do poodle Orfeu, a relações públicas Gisele Klockner, 30 anos, gastou R$ 1,3 mil só no primeiro mês, sem contabilizar o gasto com remédios para enjoo

Na quimioterapia do poodle Orfeu, a relações públicas Gisele Klockner, 30 anos, gastou R$ 1,3 mil só no primeiro mês, sem contabilizar o gasto com remédios para enjoo

A apropriação de recursos da medicina humana para o tratamento de animais acaba pesando no bolso dos donos. Na quimioterapia do poodle Orfeu, por exemplo, a relações públicas Gisele Klockner, 30 anos, gastou R$ 1,3 mil só no primeiro mês, sem contabilizar o gasto com remédios para enjoo. Enfrentando um câncer no sistema linfático desde outubro passado, o poodle preto de 13 anos a quem Gisele se acostumou a chamar de filho mal consegue subir um degrau e precisa de colo para voltar do passeio no pátio do prédio.

– Ele está ficando muito debilitado, então resolvemos parar com o tratamento – conta a dona do mascote.

O gato Pepe já fez a primeira revisão cardiológica com a veterinária Elisa Neuwald

O gato Pepe já fez a primeira revisão cardiológica com a veterinária Elisa Neuwald

Ao contrário do poodle Orfeu, que nunca tinha ido ao veterinário antes de ficar doente, o gato Pepe já fez a primeira revisão cardiológica com a veterinária Elisa Neuwald, no Centro Veterinário Mundo Animal.

– Quando os felinos apresentam sintomas de problema cardíaco, em geral, já é tarde demais, então é necessário um cuidado preventivo – aconselha Elisa.

O próximo passo, ao que parece, é que checkups periódicos com diferentes especialistas passem a fazer parte da rotina de cuidados médicos com pets.

Casinha, ração e saúde de ponta

Zero Hora | 03 de março de 2013 | N° 17360

MEDICINA PET

Casinha, ração e saúde de ponta

Estreitamento de laços afetivos com bichos de estimação impulsiona cuidados veterinários especializados

A gata Princesa passa por videocirurgia no Hospital Veterinário da UFRGS, em uma prova do grau dos exames a que os animais agora são submetidos

A gata Princesa passa por videocirurgia no Hospital Veterinário da UFRGS, em uma prova do grau dos exames a que os animais agora são submetidos

Princesa tinha oito súditos ao seu dispor. Do lençol que cobria seu corpo ao equipamento que monitorava seus batimentos cardíacos durante o sono profundo induzido pela anestesia, nenhum detalhe escapava à equipe médica.

Enquanto ela se mantinha ligada aos monitores por meio de tubos de oxigênio, soro e anestésico, um arsenal de tesouras, pinças e material para sutura aguardava na mesa ao lado o momento para entrar em cena.

Na tela, as imagens geradas por uma microcâmera inserida a partir de um minúsculo orifício no abdômen da paciente eram ampliadas 20 vezes, permitindo a realização da cirurgia de laqueadura sem derramar uma gota de sangue sequer durante uma hora na mesa de operação.

Princesa é uma gata com traços de siamesa, mas não de raça pura. Ela tem seis meses de vida e pesa pouco mais de dois quilos.

Maior exigência move o setor

A tecnologia investida na realização de uma cirurgia de esterilização, a mais corriqueira em cães e gatos, é justificada por ser minimamente invasiva, com risco de infecção reduzido e totalmente indolor. É mais um reflexo da aproximação entre os métodos da medicina veterinária com os procedimentos realizados em humanos.

– Em vez de uma incisão grande, bastam duas ou três punções – resume a veterinária Fabiana Schiochet, cirurgiã que comandou a equipe no Hospital de Clínicas Veterinárias da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Saindo do bloco cirúrgico, salas de ultrassonografia e raio X, além de unidades de internação e atendimento ambulatorial lembram a estrutura de um hospital convencional, mas quem circula pelos corredores são cães e gatos. Os donos não medem esforços pelo bem-estar dos bichos e saem com prontuário médico debaixo do braço em busca do melhor especialista para curar o mascote.

Além do estreitamento da relação humana com cães e gatos, que eleva o nível de exigência com a saúde dos bichos, há outros estímulos que impulsionam a profissão a se segmentar.

– O mercado pet cresce 10% ao ano, a melhor condição econômica da população faz com que as pessoas invistam mais na saúde dos animais, que significam tanto para elas, e a indústria farmacêutica e de diagnósticos abre o leque para a atuação na veterinária – enumera o presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária no Estado (CRMV), Rodrigo Marques Lorenzoni.

Regulamentação ainda engatinha

Os rumos da profissão avançam em ritmo tão intenso que a regulamentação mal consegue acompanhar: somente cinco especialidades foram reconhecidas até hoje. A tendência é que áreas consagradas, como cardiologia, oftalmologia e dermatologia, sigam o mesmo caminho nos próximos anos.

Na prática, os avanços da medicina já estão amplamente ao alcance de todos os membros da família, inclusive dos mascotes.

tais.seibt@zerohora.com.br

TAÍS SEIBT

Avanço na veterinária

Zero Hora | 02 mar 2013

Tecnologias e especialidades de saúde animal estão cada vez mais próximas da medicina humana

Estreitamento de laços afetivos com bichos de estimação impulsiona cuidados veterinários especializados

A gata Princesa passou por uma videocirurgia de esterilização no hospital da UFRGSFoto: Diego Vara / Agencia RBS

A gata Princesa passou por uma videocirurgia de esterilização no hospital da UFRGS
Foto: Diego Vara / Agencia RBS

Princesa tinha oito súditos ao seu dispor. Do lençol que cobria seu corpo ao equipamento que monitorava seus batimentos cardíacos durante o sono profundo induzido pela anestesia, nenhum detalhe escapava à equipe médica.

Enquanto ela se mantinha ligada aos monitores por meio de tubos de oxigênio, soro e anestésico, um arsenal de tesouras, pinças e material para sutura aguardava na mesa ao lado o momento para entrar em cena.

Na tela, as imagens geradas por uma microcâmera inserida a partir de um minúsculo orifício no abdômen da paciente eram ampliadas em 20 vezes, permitindo a realização da cirurgia de laqueadura sem derramar uma gota de sangue sequer durante uma hora na mesa de operação.

Princesa é uma gata com traços de siamesa, mas não de raça pura. Ela tem seis meses de vida e pesa pouco mais de dois quilos.

A tecnologia investida na realização de uma cirurgia de esterilização, a mais corriqueira em cães e gatos, é justificada por ser minimamente invasiva, com risco de infecção reduzido e totalmente indolor. É mais um reflexo da aproximação entre os métodos da medicina veterinária com os procedimentos realizados em humanos.

— Ao invés de uma incisão grande, bastam duas ou três punções — resume a veterinária Fabiana Schiochet, cirurgiã que comandou a equipe no Hospital de Clínicas Veterinárias da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Leia também:
Ecografia e quimioterapia estão entre as técnicas para tratar cães e gatos

Donos mais exigentes impulsionam o setor

Saindo do bloco cirúrgico, salas de ultrassonografia e raio-X, além de unidades de internação e atendimento ambulatorial lembram a estrutura de um hospital convencional, mas quem circula pelos corredores são cães e gatos. Os donos não medem esforços pelo bem-estar dos bichos e saem com prontuário médico debaixo do braço em busca do melhor especialista para curar o mascote.

Além do estreitamento da relação humana com cães e gatos, que eleva o nível de exigência com a saúde dos bichos, há outros estímulos que impulsionam a profissão a se segmentar.

— O mercado pet cresce 10% ao ano, a melhor condição econômica da população faz com que as pessoas invistam mais na saúde dos animais, que significam tanto para elas, e a indústria farmacêutica e de diagnósticos abre o leque para a atuação na veterinária — enumera o presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária no Estado (CRMV), Rodrigo Marques Lorenzoni.

Os rumos da profissão avançam em ritmo tão intenso que a regulamentação mal consegue acompanhar: somente cinco especialidades foram reconhecidas até hoje. A tendência é que áreas consagradas, como cardiologia, oftalmologia e dermatologia, sigam o mesmo caminho nos próximos anos.

Na prática, os avanços da medicina já estão amplamente ao alcance de todos os membros da família, inclusive dos mascotes.

As especialidades (animais) reconhecidas

— Medicina intensiva
— Homeopatia
— Patologia
— Cirurgia
— Anestesiologia

Mercado gigante

— Há 101 milhões de animais de estimação no Brasil, sendo 35,7 milhões de cães e 19,8 milhões de gatos.
— O mercado pet fatura cerca de R$ 20 bilhões por ano e gera em torno de 1 milhão de empregos diretos e indiretos.
— Em 2012, o gasto com animais de estimação por habitante aumentou 13% em relação ao ano anterior.
— 56% dos lares de Porto Alegre têm pets.
— O Hospital de Clínicas Veterinárias da UFRGS atende 20 mil animais por ano, só perde para a Universidade de São Paulo, que atende 50 mil.

Fontes: comissão para Animais de Companhia (Comac), Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindam), Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e Ibope.

Produtos e serviços para pets se sofisticam e atraem consumidores

Matéria sobre o crescimento do mercado pet na Zero Hora de domingo (3 fev 2013).

Com mais de 100 milhões de bichos de estimação, brasileiros gastam com acessórios e roupas

O gasto médio de uma família brasileira com seu cão em pet shops é de R$ 760 por ano, segundo a consultoria Gouvêa e Souza Foto: Mauro Vieira / Agencia RBS

O gasto médio de uma família brasileira com seu cão em pet shops é de R$ 760 por ano, segundo a consultoria Gouvêa e Souza Foto: Mauro Vieira / Agencia RBS

Erik Farina

Poucos setores da economia emplacaram um crescimento tão intenso nos últimos anos como o mercado pet. A venda de produtos e serviços para animais de estimação mais do que triplicou em seis anos. Com mais de 100 milhões de bichinhos para mimar, brasileiros deixaram de gastar apenas com ração e vacinas e passaram a desembolsar com acessórios, brinquedos e roupas. Nas pet shops, gastam muito dinheiro com banhos, tosa e tratamento de pelos.

Os motivos da paixão entre humanos e seus animaizinhos, cada vez mais evidenciada pelo consumo, são conhecidos: jovens casais imersos na carreira trocam seus planos imediatos de ter filhos pela companhia dos pets. À medida que as famílias passaram a migrar de casas para apartamentos, a necessidade de manter animais limpos e com conforto sugere gastos crescentes com itens como camas, arranhadeiras e até banheiros. Uma pitada adicional de apego em um mundo cada vez mais impessoal e está pronto o cenário para o consumo de itens cada vez mais sofisticados.

— Nossos clientes não vêm procurar algo para seu cachorro ou gato: vêm falando no “filho” e querem o melhor que puderem pagar — afirma Marione Pinheiro, sócia-diretora da pet shop Mundo Animal, de Porto Alegre, e presidente da recém-criada Gespet, associação que representa o varejo de produtos e serviços para animais de estimação no Estado.

O gasto médio de uma família brasileira com seu cão em pet shops é de R$ 760 por ano, segundo a consultoria Gouvêa e Souza. Os donos de gatos gastam um pouco menos:

R$ 550. A cada ida a lojas especializadas, o brasileiro gasta cerca de R$ 68. Com o mercado efervescente, o número de pet shops já ultrapassa 40 mil.

— Muitos dos gastos são com banho e tosa, mas já se nota um crescimento na procura por acessórios, recreação e hospedagem — diz José Edson Galvão de França, presidente da Abinpet.

Os clientes mais inclinados a comprar novidades são os que azeitam este mercado bilionário. A estudante de direito Isabella Ely Guerreiro, 17 anos, e a irmã Manoela Barcelo, oito anos, divertem-se escolhendo bolsas acolchoadas para levar o shitzu para passear, roupas de marca, camas e brinquedos. Quando a caminha de Pit-boo começa a desbotar, logo a substituem por uma nova em folha. Por mês, gastam cerca de R$ 500 na pet shop — os pais pagam sem reclamar.

Mercado ganha ares de sofisticação

À medida que os donos se dispõem a gastar mais com produtos e serviços sofisticados para seus animais de estimação, as empresas se adaptam rapidamente. No ano passado, a pet shop Bicho Mania mudou sua sede na Capital para ampliar a capacidade de atendimento e oferecer hospedagens mais confortáveis.

Com capacidade para 18 animais, o hotel ganhou espaços climatizados e separados por material transparente, sem grades. Um profissional cuida da recreação, de olho nos animais em área de convivência. No espaço de vendas da Bicho, acessórios destinados aos donos, como canecas temáticas, mouse peds com figura de cães, enfeites de mesa e até quadros com oração de São Francisco, padroeiro dos animais, viraram mania entre os clientes.

— Vendemos muito esses produtos. A estampa que mais sai é a do shitzu — diz a proprietária Daniela Segalin.

Na pet shop Mundo Animal, os itens importados ganham cada vez mais espaços. Estão à venda coleiras ornamentadas com pedras de cristais e douradas, cadeirinha para automóveis, fontes de água corrente para gatos matarem a sede e arranhadeiras de palha com mais de dois metros de altura. Recentemente, a pet recebeu um lote de coleiras da marca Louis Vuitton, praticamente esgotadas.

A indústria nacional também passou a oferecer itens de primeira linha. A Emporiopet ganhou clientes em todos os Estados ao apostar em xampus, condicionadores e perfumes feitos à base de óleos naturais trazidos da Amazônia. Uma das linhas com maior saída é à base do linho, rico em vitaminas benéficas ao pelo, explica a coordenadora administrativa Marcele Barbo Dutra. No ano passado, a empresa produziu 400 toneladas.

Tecnologia, por sinal, tem pautado o mercado pet. A última moda no setor é o implante de chips. Comuns nos EUA, os dispositivos permitem ao dono saber do paradeiro do bicho e acompanhar o calendário de vacinação por um software. Sandra Araújo comprou a gata Sophia já com o chip.

— Dá mais tranquilidade para não perder informações importantes — explica Sandra.

Cães têm até hotel-fazenda

Hana, uma bulldog de quase 30 quilos, observa a agilidade de Choco, uma australian cattle de um ano, sobre um tapete por onde corre sem jamais sair do lugar. Sabe que logo será sua vez de subir na esteira e dificilmente vai flutuar como a cadelinha com pinta de atleta.

E nem adianta rosnar: afinal, este é um lugar para onde os cães vão para perder peso e recuperar a agilidade. Mas há um consolo: depois de trotar por 20 minutos, Hana vai para uma piscina de água morna refrescar-se no colo do adestrador.

Cenas como essas são curiosas, mas fazem parte da rotina de Angélica Pires e Sérgio Paim. Há quatro meses, eles inauguraram, em Viamão, a Dog’s Village, hotel-fazenda para cachorros com proposta de aliar atividade física e hospedagem.

O investimento de R$ 1,5 milhão deverá ser recuperado em menos de cinco anos, já que o negócio vai bem: as 30 vagas lotam com facilidade.

O conceito de hospedagem com recreação tem motivado a abertura de negócios na Região Metropolitana, especialmente em áreas rurais. Alguns deles chegam a receber uma centena de animais. É o caso do Vet Hotel, em Viamão. No verão, quando famílias procuram lugar para deixar seu animal enquanto curtem as férias, a hospedagem chega a receber mais de cem cães. No local, há oito câmeras na área de convivência.

— Quando bater a saudade, os donos acessam o monitoramento pela internet — explica o proprietário Alexandre Stigger Terra Lima.

Saúde não fica para trás

Poucas semanas após serem presenteados com a boxer Nina, os namorados Filipe Narciso e Marcela Sosa tiveram de procurar às pressas ajuda veterinária. A cadela teve crise de diarreia, problemas de pele e não comia mais.

Em um hospital para animais, encontraram uma estrutura que jamais imaginaram existir: UTI com leitos individuais, todos com soro e marcador de batimentos cardíacos, equipamentos avançados de ecografia e raio X e veterinários especializados em áreas como endocrinologia e dermatologia.

— Fiquei feliz em saber que poderia contar com lugar tão especializado e aberto 24 horas — diz Marcela.

O valor do tratamento, estimado em mais de R$ 2 mil, valeu a pena, diz Felipe. Nina, hoje com quatro meses, se recuperou do problema sofrido em consequência de vacina inadequada dada pelo antigo dono.

Os cuidados com a saúde dos animais se sofisticam a cada dia. Inaugurado no fim de 2011, o hospital da Mundo Animal tem condições de manter internados e monitorados até 40 animais. Pelos seis consultórios, três áreas de internação e dois blocos cirúrgicos circulam 40 especialistas.

— Quisemos montar um hospital de alto padrão de higiene e sofisticação — conta a dona, Marione Pinheiro.

A clínica e pet shop Bichos da Gente, também na Capital, oferece banhos terapêuticos para animais com problema de pele. Um dos mais populares é a vinoterapia, com xampu à base de uva, explica a proprietária Ana Paula Azevedo. E cães com dores musculares são encaminhados à acupuntura.

Produtos e serviços para pets se sofisticam e atraem consumidores

Para saber mais acesse os links abaixo (é necessário ser assinante de ZH online):

MERCADO DE LUXO PARA ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO

O MELHOR AMIGO DAS PET SHOPS

MERCADO GANHA ARES DE SOFISTICAÇÃO

CÃES TÊM ATÉ HOTEL-FAZENDA

SAÚDE NÃO FICA PARA TRÁS

Quero ser um criador. E agora?

SÁBADO, 21 DE JULHO DE 2012

Que tipo de criador eu quero ser?

Em primeiro lugar, vale esclarecer que dificilmente um bom criador obterá lucro financeiro com a produção do seu canil. Sim, existem aqueles que criam visando lucro financeiro, e até conseguem, mas temos que analisar a que “custo” isso é possível. E existem, também, aqueles que decidem ser criadores simplesmente porque amam os cães e querem aprimorar a raça.
Um criador que visa o lucro, precisa pensar em como reduzir, ao máximo, os gastos. Isso quer dizer que, fatalmente, vai relaxar nos cuidados e buscar subprodutos para tratar seus cães. Vai economizar comprando uma ração de baixa qualidade (ou “standard”), comprar vacinas mais baratas (e não tão eficientes), espaçar mais as vermifugações, utilizando remédios de segunda linha, e por aí vai. Além disso, vai vender um cão a qualquer pessoa que possa pagar por ele, sem critério de seleção para um futuro promissor ao filhote.

Muitas vezes, esse tipo de criador não registra os filhotes, e coloca anúncios do tipo: “com pedigree, sem registro” (isso não existe!!), ou “filhotes puros, pais com pedigree” (e aí, quem garante?). Outro problema desse “tipo” de criação, é que não há o controle genético, por meio de exames específicos (geralmente caros), para evitar que os filhotes desenvolvam doenças hereditárias. Aí o “criador” anuncia: “os pais têm todos os exames de saúde em dia”. A pergunta é: quais exames? Aqui, não estamos falando nos exames corriqueiros pedidos pelos médicos veterinários clínicos, como hemograma, parasitologia, etc., que são, sim, igualmente importantes e necessários. Mas, sim, de exames, realizados por profissionais especializados, como oftalmologistas (exame de fundo de olho, para detectar se o cão é livre de doenças como a catarata juvenil, o glaucoma, a distrofia de córnea, atrofia progressiva da retina, entre outras), radiologistas (exame de quadris e cotovelos, por meio de radiografias, para detectar se o cão é livre de displasia coxofemoral ou de cotovelos), entre outros.

Canso de receber mensagens de pessoas que estão enfrentando problemas de saúde com seus cães, e o “criador” do cão, que é quem deveria estar dando o apoio e orientações ao proprietário, já não se interessa, porque sua parte, de embolsar o dinheiro da venda, já está cumprida. Aí o cão, que custou barato ao comprador, agora está cheio de problemas, tem desvios de temperamento, doenças genéticas… E o proprietário, que se deixou enganar por propaganda enganosa ou que pensou estar fazendo um ótimo negócio pagando barato pelo seu filhote, agora se vê em apuros e gasta tudo o que pode e o que não pode para tratar do animal. Sim, o barato pode custar MUITO CARO!!
Exemplo das condições de um Husky Siberiano mantido por um fabricante de filhotes.

Exemplo das condições de um Husky Siberiano mantido por um fabricante de filhotes.

Vai por mim: se o valor de um bom cão, provindo de um criador que faz um trabalho sério pela raça, estiver fora do seu orçamento, adie o sonho de ter um belo cão de raça e adote um vira-latas! Os cães “sem raça definida” são excelentes companheiros, costumam ser naturalmente saudáveis, porque vêm de uma “seleção natural” – não é regra, mas não é à toa que costuma-se dizer que os SRD’s são mais fortes e saudáveis que os cães de raça. Por que isso acontece? Um criador que visa lucrar com a venda de cães de raça, não se importa em selecionar pelo padrão morfológico e nem pela saúde física ou mental dos cães. Para eles, se o cão é “puro”, ou se parece com a raça, vai para reprodução, não interessa se o cão e cego, se tem dificuldades para se locomover, se é epilético. Muitas vezes, como tais cães não têm boa procedência, podem ser frutos de cruzamentos entre parentes muito próximos e seus problemas de saúde se agravam. Ou, o criador está buscando determinada cor de olhos, comprimento ou cor da pelagem, e não liga para nada além disso, pois sua “seleção” visa apenas atender o “mercado”, sua lista de possíveis compradores, que querem um cão da tal cor, com a tal pelagem, e os olhos da cor tal.

Muitas vezes, esse tipo de criador participa de feiras, ou repassa seus filhotes para serem vendidos em eventos ou em pet shops. Não aconselho, em hipótese alguma, comprar um animal em feiras ou em pet shops! É impossível saber o histórico desses filhotes, das condições em que foram criados, de ver seus pais ao vivo a fim de verificar sua procedência. Como saber se esse filhote não foi vítima de abusos ou maus-tratos, sem conhecer sequer o local onde nasceu e foi criado? Comprar dessa forma, é incentivar a má criação, o abuso, e correr o risco de pegar uma verdadeira “bomba-relógio”. Esses cães são manuseados por várias pessoas, podem estar contaminados por parasitas ou vírus, e podem vir a morrer em poucos dias após chegar em sua casa.
Por outro lado, um criador que se importa com seus cães e quer o melhor para eles e para a evolução da raça, vai selecionar criteriosamente os animais que serão usados na reprodução. Vai estudar a fundo o padrão da raça, vai trocar informações com criadores mais experientes, vai buscar o melhor espaço para criá-los, vai pesquisar qual é a melhor alimentação, a melhor vacina, os melhores medicamentos, os melhores especialistas. Vai “se matar trabalhando” para investir o máximo possível em sua criação. Seus cães fundadores custarão caros, muitas vezes serão importados de canis renomados, terão vários exames de saúde à disposição, realizados por especialistas.
O bom criador fará uma série de perguntas aos possíveis novos proprietários, e não apenas irá “trocar” o filhote por uma pilha de dinheiro. Ele se preocupará com a preservação da sua linhagem, buscando pessoas conscientes que saibam que um cão “pet”, que será o mascote da nova família, não precisa reproduzir, e viverá melhor sendo esterilizado. Dessa forma, o criador e o proprietário estarão prevenindo uma série de doenças que são desenvolvidas por causa da ação dos hormônios sexuais, como o câncer nas glândulas mamárias e nas adanais, somente para citar alguns exemplos.
Um contrato entre criador e proprietário é sempre recomendável, pois aí um assegura a saúde e pureza do cão, e o outro se compromete com os cuidados adequados e a preservação da linhagem, além de outras cláusulas que garantirão direitos e deveres de ambas as partes sobre aquele cão.
Como faço para abrir um canil?
Aqui vale iniciar dizendo que um canil não é, necessariamente, uma estrutura física, cheia de baias, jaulas ou canis, e nem é preciso ter um monte de cães reprodutores. Podem-se ter, simplesmente, os cães no aconchego do lar, dentro de casa, com acesso ao jardim. Ter uma fêmea, com registro, já é o suficiente para homologar um canil.
O fato é que “ter um canil” é registrar um nome, junto à CBKC (Confederação Brasileira de Cinofilia), pagando as taxas necessárias. Isso lhe dará a possibilidade de registrar ninhadas, tendo, dessa forma, os pedigrees dos filhotes produzidos. Ressalto, porém, que apenas filhotes que tenham AMBOS os pais registrados, poderão ter seus pedigrees emitidos.
Dito isso, o próximo passo é dirigir-se a um KENNEL CLUBE, e solicitar os formulários de registro de canil e realizar o pagamento das taxas correspondentes. O interessado deverá levar 3 sugestões de nome de canil, em ordem de preferência, sendo que um deles será homologado junto à FCI (Federação Cinológica Internacional), com sede na Bélgica.
Os Kennel Clubes servem como um cartório, além de promoverem outras atividades para seus sócios. Para saber sobre o Kennel Clube mais próximo, basta entrar no site da CBKC (www.cbkc.com.br).

 



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